domingo, abril 19, 2009

PÉTALAS DE ROSA


Porque foste na vida
A última esperança
Encontrar-te me fez criança
Porque já eras meu
Sem eu saber querer
Porque és o meu homem
E eu tua mulher.
Porque tu me chegaste
Sem me dizer que vinhas
E as tuas mãos foram minhas com calma
Porque foste em minh'alma
Como um amanhecer
Porque foste o que tinha que ser.


Vinicius de Moraes

domingo, março 22, 2009

AMORE MIO


Amore mio!
Come ti voglio bene.
Dopo che ti ho conosciuto,
il mondo siè modificato.
Il sole splende dentro di me,
la luna ha fatto dimora nel mio cuore
Portando le stelle come ospiti.
Il calore di tuo corpo
scaldò la mia anima.
Io non so quello che faccio
della mia vita
se um giorno rimarró senzate,
perché questo amore
è la ragione della mia esistenza.
Vita mia,
quando mi chiedi
se ti amo,
Rispondo che è vero.
Parlami d'amore, amore mio,
in prosa o in verso
perchè nulla in questo mondo
è piu bello del nostro amore.
Io te amerò
per il resto della mia vita e...
Scusami amore mio
per estare enamorata di te;
per amarti molto ...moltissimo

********

Amor Meu !
Como te quero bem.
Depois que te conheci
O mundo ficou diferente.
O sol brilhou dentro de mim,
a lua fez morada dentro do meu coração
trazendo as estrelas como convidadas.
O calor do teu corpo
aqueceu minh'alma.
Não sei o que faço
da minha vida
se um dia ficar sem ti,
porque este amor
é a razão do meu existir.
Vida minha
quando me perguntas
se te amo,
respondo que é verdade.
Fala de amor pra mim, amor meu,
em prosa ou verso
porque nada neste mundo
é mais belo que nosso amor.
Vou te amar
para o resto desta minha vida e...
Desculpa Amor Meu
por estar apaixonada por ti;
por te amar tanto ...tanto...


Marilene

sexta-feira, março 20, 2009

PRIMAVERA

GLÓRIA

Depois do Inverno, morte figurada,
A primavera, uma assunção de flores.
A vida Renascida
E celebrada
Num festival de pétalas e cores.


Miguel Torga
Recados Animados

domingo, fevereiro 22, 2009

ACALENTO

Eu só queria um ombro para encostar e dizer a
falta que o Ser Humano me faz,
Eu só queria me acomodar em um colo,
e sentir o calor do amor,
assim como o corpo é aquecido
quando exposto ao raio do sol.

Eu só queria não ser tão ausente
no coração de tanta gente...
Eu queria quase nada...
Tão pouco o que eu queria...

Queria compreensão, ternura e um pouco de razão,
Queria um sorriso gostoso despretensioso,
Um abraço doado, apertado, sensibilizado.
Um Te amo de coração...

Queria ganhar um pouquinho de algum chão,
sem poeiras da imaginação.
Queria continuar a acreditar que pessoas
ainda são capazes de se doar.

Eu só queria dentro do mundo com tanta gente ,
Ter o imenso prazer, de pelo menos à alguém dizer:

Por ti vale todo meu viver!
Eu, Simplesmente queria...
Eu só queria...

Cora Maria

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

CANÇÃO A CAMINHO DO CÉU



Foram montanhas? foram mares?
foram os números...? - não sei.
Por muitas coisas singulares,
não te encontrei

E te esperava, e te chamava,
e entre os caminhos me perdi.
Foi nuvem negra? maré brava?
E era por ti!


As mãos que trago, as mãos são estas.
Elas sozinhas te dirão
se vem de mortes ou de festas
meu coração.

Tal como sou, não te convido
a ires para onde eu for.

Tudo que tenho é haver sofrido
pelo meu sonho, alto e perdido,
- e o encantamento arrependido
do meu amor.
Cecília Meirelles

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

SAUDADE


Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.


Pablo Neruda

sexta-feira, janeiro 16, 2009

A LINGUAGEM DOS OLHOS


Falta ainda a linguagem do gosto!
Que gosto terá sua boca quando colada na minha?
Que indizível prazer devo sentir ao te percorrer?
Que doce delírio sentir tua boca, todo o meu corpo morder...

Falta ainda a linguagem do tato!
Como será o entrelaçar das nossas trêmulas mãos?
O abraço tão apertado que poderemos ouvir nossos corações,
pulsando sôfregos e descompassados
em meio a tão arrebatadoras emoções...

Falta ainda a linguagem do cheiro!
Não o cheiro da minha ou da tua preferida colônia.
Mas o nosso cheiro, natural, hormonal, quase animal.
alando da premência da entrega,
assim sem nenhuma cerimônia...

Porque eu já conheço a tua voz acariciante.
Porque eu já conheço a tua melancólica expressão.
Porque eu já conheço o teu complicado sentir.
Porque eu já conheço a tua férrea razão.

Mas que presunção a minha, eu achar que te conheço.
Não porque falte o tato, o olfato e o paladar.
Eu só poderei dizer que realmente te conheço
quando, olhos nos olhos, a tua Alma eu puder sondar.



(Fátima Irene Pinto)

quinta-feira, janeiro 01, 2009

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O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.

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quarta-feira, dezembro 24, 2008


domingo, dezembro 14, 2008

SE QUERES SABER DE MIM

Se queres saber de mim
não olhes os meus retratos
julgando saber-me assim.

Se queres saber quem sou
não busque nas minhas respostas
quando perguntas onde vou.

Se queres saber quem é
esta que te sorri
não olhe para a mulher.

Que não me saberás pelo sorriso,
não me conhecerás pelas respostas,
meus retratos são imprecisos,
a cada dia traço novas rotas.

Se queres porventura, um dia,
entender deste coração,
olhe meus olhos primeiro:
é neles que mora a poesia
que me explica dia após dia
e me mostra por inteiro.

Se queres saber-me de fato,
recomendo-te menos cuidado,
muito carinho, pouca fala,
mais riso e tato, muito tato.



Débora Cristina Denadai

domingo, dezembro 07, 2008

DUAS QUADRAS








Não sei se tens reparado


Quando passeia, o luar


Pára sempre à tua porta


E encosta-se a chorar:



E eu que passo também


Na minha mágoa a cismar


Para junto dele, e ficamos


Abraçados a chorar!!!






Florbela Espanca
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Feminista em pleno século XIX
Florbela Espanca (1894-1930) foi uma das precursoras do movimento feminista em Portugal.
Teve uma vida tumultuada e inquieta, transformando seus sofrimentos íntimos em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotização e feminilidade. Nasceu em Vila Viçosa, Portugal, em 08 de dezembro de 1894, batizada com o nome Flor Bela de Alma da Conceição, filha de Antónia da Conceição Lobo, empregada de João Maria Espanca, que não a reconheceu como filha. Porém, com a morte de Antónia, em 1908, João e sua mulher, Maria Espanca, criaram a menina. Não obstante, o pai só reconheceu a paternidade muitos anos após a morte de Florbela.
Formou-se em Letras e foi a primeira mulher a freqüentar o curso de Direito na Universidade de Lisboa. Ao longo da vida, casou-se três vezes e enfrentou o preconceito social decorrente disso. Em 1919, após um aborto involuntário, publicou o Livro de Mágoas. Alguns anos depois, depois de um novo aborto, separou-se do segundo marido, lançando, então, o Livro de Soror Saudade (1923).
Seriamente abalada pela morte do irmão, escreveu o livro As Máscaras do Destino. Em 1930 tentou suicídio por três vezes, com falecimento na terceira tentativa, no dia de seu aniversário, após o diagnóstico de um edema pulmonar. Eternizada aos 36 anos, deixou para publicação póstuma sua obra-prima Charneca em Flor (1931).

quinta-feira, dezembro 04, 2008

A DOCE CANÇÃO


Pus-me a cantar minha pena
com uma palavra tão doce,
de maneira tão serena,
que até Deus pensou que fosse
felicidade - e não pena.

Anjos de lira dourada
debruçaram-se da altura.
Não houve,no chão,criatura
de que eu não fosse invejada,
pela minha voz tão pura.

Acordei a quem dormia,
fiz suspirarem defuntos.
Um arco íris de alegria
da minha boca se erguia
pondo o sonho e a vida juntos.

O mistério do meu canto,
Deus não soube,tu não viste.
Prodígio imenso do pranto:
-todos perdidos de encanto,
só eu morrendo de triste!

Por assim tão docemente
meu mal transformar em verso,
oxalá Deus não o aumente,
para trazer o universo
de pólo a pólo contente.



Cecília Meireles

quarta-feira, novembro 26, 2008

EM ALGUM LUGAR DO PASSADO


Em algum lugar do passado
Você existiu para mim,
E eu já sabia
Que assim virias...

Em algum lugar do passado,
Fomos, nós dois,
Brisa fresca,
Rosas em flor...

Em algum lugar do passado,
Te amei,
Te guardei,
Você me amou e cativou...

Em algum lugar do passado,
Nossos corpos e corações
Foram um só,
Melodia interminável
De nosso amor sem fim...

Em algum lugar do passado,
Nos deixamos
Com a certeza do reencontro,
Como sabemos agora,
Que nos encontramos...

Em algum lugar do passado,
Prometemos jamais nos esquecer
E, agora, no presente,
Carregamos sempre vivas as lembranças
Deste tão sublime querer...

Em algum lugar do passado,
Fomos felizes,
Fomos amantes,
Como a flor e a raiz,
O mar e a areia,
Deste amor sem igual...

Em algum lugar do passado,

Dançamos com o vento,
Corremos pela praia
E tivemos sonhos vindouros
Deste amor infinito
Que jamais nos deixaria...

Em algum lugar do presente,

Nos reencontramos...
Palavras, atitudes
Que despertam as lembranças das almas,
Que sabiam se conhecer...
Em algum lugar do presente,

Olhares, gestos, toques,
Sensações indescritíveis,
Que somente nossos corações identificam...

Em algum lugar do presente,
Saberemos o que somos
E o que fomos:Luz do sol,
Amor verdadeiro,
Nesta busca insaciável
De nós dois...
Em algum lugar do passado...
Em algum lugar do presente...


Autoria: Denise

domingo, novembro 23, 2008

Chamam-te linda, chamam-te formosa,
Chamam-te bela, chamam-te gentil...
A rosa é linda, é bela, é graciosa,
Porém a tua graça é mais subtil.

A onda que na praia, sinuosa,
A areia enfeita com encantos mil,
Não tem a graça, a curva luminosa
Das linhas do teu corpo, amor e ardil.

Chamam-te linda, encantadora ou bela;
Da tua graça é pálida aguarela
Todo o nome que o mundo à graça der.

Pergunto a Deus o nome que hei-de dar-te,
E Deus responde em mim, por toda parte:
Não chames bela ? Chama-lhe Mulher!


Ruy de Noronha

quinta-feira, novembro 20, 2008

MANIFESTO ANTI-DANTAS

Declamado por Mário Viegas

(para ouvir desligue a música do blog)

segunda-feira, novembro 17, 2008

NESTE TEU OLHAR


Há, neste olhar com que me olhas,
alguma coisa a mais que não defino,
algo assim inacessível
e ao mesmo tempo tão chegado.
Há, neste olhar com que me olhas,
uma luz profunda
que me embriaga
e me faz tremer,
ciente de que me vês.
Há, em teu olhar
e no teu jeito,
alguma coisa de íntimo
que me arrebata,
e me atira
num deslumbramento
febril, inebriante.
Sei que me sentes,
embora sem palavras
nos falamos.
Tu sabes que sou a meta,
eu sei que tu és o fim.

Autoria: Maura




sábado, novembro 15, 2008

CHARLIE CHAPLIN


Sorria,
embora seu coração esteja doendo.
Sorria, embora esteja se quebrando.
Enquanto houver nuvens
No céu, você sobreviverá
Se você sorrir
Através dos seus medos e tristezas
Sorria, e talvez amanhã
Você veja o sol brilhando para você.
Ilumine seu rosto com felicidade,
Esconda qualquer traço de tristeza,
Embora uma lágrima
Possa estar sempre próxima.
É o momento em que você precisa continuar tentando.
Sorria,
Qual o motivo de chorar?
Você vai perceber que a vida ainda vale a pena,
Se você sorrir.



Charlie Chaplin

domingo, novembro 09, 2008

NATUREZA

Soneto da Terra


Quem me dera poder retribuir-te
Em vida, tudo aquilo que me deste,
Este sopro de vida sem pedir-me
Nada em troca, daquilo que fizeste.
Gritar em defesa do teu nome
Lamentar por teus filhos avarentos
Morrer, pra saciar tua fome.
Escrever tua saga, teu lamento...
Mãe Terra, de tantas voltas vividas,
Pérola das águas, do poder da vida.
Vida tirana que decreta a morte.
Apesar de tudo, continuas forte.

Teu ciclo de vida...
Maior que o homem

Devolvendo a vida e coroando a morte.



José Manoel dos Santos