quinta-feira, abril 12, 2007

RETRATO


Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?


Cecília de Meireles

segunda-feira, abril 09, 2007

PACIÊNCIA...






Isto é uma ternura...

domingo, abril 08, 2007

URGENTEMENTE





Urgentemente
É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavra
sódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.



Eugénio de Andrade

sábado, abril 07, 2007

IMPROVISO DO AMOR- PERFEITO


Naquela nuvem, naquela,
mando-te meu pensamento:
que Deus se ocupe do vento.
Os sonhos foram sonhados, e o
padecimento aceito.
E onde estás, Amor-Perfeito?

Imensos jardins da insônia,
de um olhar de despedida
deram flor por toda a vida.
Ai de mim que sobrevivo
sem o coração no peito.
E onde estás, Amor-Perfeito?

Longe, longe,
atrás do oceano que nos meus se alteia
entre pálpebras de areia...
Longe, longe... Deus te guarde
sobre o seu lado direito,
como eu te guardava do outro,
noite e dia, Amor-Perfeito.



Cecília Meireles

SER CRIANÇA




Queria ter um dia
só pra comer porcaria:Sorvete, chocolate e bombom.
Contar os dias de alegria e fantasia.
Querendo por querer.
Não é uma maravilha ?Jogar videogame, jogar bola,
E depois ir à escola.
Queria ser criança a vida inteira,
E nunca acabar a brincadeira.
Mas ser criança não é tão bom assim,
Todo mundo manda em mim !
Sei que devo aproveitar,
Sou criança, quero brincar!

DEBORAH GOULART VISNADI (11 anos)

sexta-feira, abril 06, 2007

POESIA


Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.


Amo-te enfim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.


Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.



(Vinícius de Moraes)

segunda-feira, abril 02, 2007

NÓS DOIS




Queria ter lhe conhecido antes, muito antes...
Para que nenhum de nós dois tivesse
medos ou cicatrizes.
Queria ter estado com você,
quando seu coração descobriu o que era AMOR.
Quando seu corpo descobriu o que era DESEJO.
E antes que pudesse sofrer,
eu estaria do seu lado,
amando-lhe.
entregando-me,
e juntos poder ter aprendido,
as lições da vida e do coração...
Queria ter lhe conhecido muito antes...
Quando suas esperanças começaram a nascer,
quando seus sonhos ainda eram puros,
e seus ideais ainda ingênuos...
Pena termos nos encontrado só agora,
já com o coração viciado em outros amores,
com uma imagem meio falsa,
do que é felicidade,
do que é entregar-se...
Queria ter lhe encontrado antes,
muito antes...
Numa nova vida,
num outro tempo,
em que não precisássemos temer o nosso futuro,
nem nossos sentimentos...



Vilma Galvão

sábado, março 24, 2007

FAÇA O SEU TESTE!

You Are a Red Flower
A red flower tends to represent power, seduction, and desire.At times, you are loving like a red tulip.And at other times, you're very enthusiastic, like a bouvardia.And more than you wish, your passion is a bit overwhelming, like a red rose.
What Color Flower Are You?

terça-feira, março 20, 2007

segunda-feira, março 19, 2007

POESIA


"Brinca enquanto souberes!
Tudo o que é bom e belo
Se desaprende...
A vida compra e vende
A perdição,
Alheado e feliz,
Brinca no mundo da imaginação,
Que nenhum outro mundo contradiz!
Brinca instintivamente
Como um bicho!
Fura os olhos do tempo,
E à volta do seu pasmo alvar
De cabra-cega tonta,
A saltar e a correr,
Desafronta
O adulto que hás-de ser!"



Miguel Torga

quarta-feira, março 14, 2007

A UM AUSENTE

(Carlos Drummond de Andrade)



Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescênciade
viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.


Antecipaste a hora
eu ponteiro enloqueceu, enloquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?


Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.


Sim, tenho saudades
sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

domingo, fevereiro 11, 2007

DÊ-LHE FLORES!

Sugestão para o dia dos namorados

Se não souber o que lhe oferecer, dê-lhe flores!


terça-feira, fevereiro 06, 2007

PROMESSAS CUMPRIDAS


Por toda a corrente da nossa vida iremos deparar com muitos problemas que se nos afiguram difíceis ou impossíveis de transpôr, mas não nos devemos esquecer que não estamos sós. Depositar fé em Deus e nas suas promessas, dá-nos força para tudo superar. Deus é Pai e nunca abandona os seus filhos.

terça-feira, janeiro 23, 2007

J'AIME





Liguem o som e sigam a letra desta bonita canção de Adamo


J'aime quand le vent nous taquine
Quand il joue dans tes cheveux
Quand tu te fais ballerine
Pour le suivre à pas gracieux
J'aime quand tu reviens ravie
Pour te jeter à mon cou
Quand tu te fais petite fille
Pour t'asseoir sur mes genoux
J'aime le calme crépuscule
Quand il s'installe à pas de loup
Mais j'aime a espéré crédule
Qu'il s'embrasserait pour nous
J'aime ta main qui me rassure
Quand je me perds dans le noir
Et ta voix elle murmure
De la source de l'espoir
J'aime qu'en tes yeux couleur de brume
Me font un manteau de douceur
Et comme sur un coussin de plumes
Mon front se pose sur ton coeur


Uma canção dos velhos tempos e que, raramente ,se ouve !


sábado, janeiro 20, 2007

BONECA


Se eu vos disser que sou uma boneca, vocês pensam logo que eu sou bonita. "É uma boneca", não é isso que as pessoas costumam dizer? Preparem-se para uma surpresa: não sou bonita. Mesmo nada bonita. E ainda não fui capaz de descobrir por que razão... Terá havido algum erro na linha de produção? Será que faço parte de um projecto que afinal não vingou? Não faço ideia. Mas tenho a certeza absoluta de que sou única.

Quando estava na fábrica, esperando para ser enviada sabia lá para onde, olhava para as minhas irmãs, todas elas de longos cabelos loiros, de grandes olhos verdes, e julgava que era também assim. Confesso que foi um choque quando descobri que o meu cabelo era loiro, sim, mas não era macio, era rebelde e sem vida, e na verdade os meus olhos eram verdes, mas tão míopes que era obrigada a escondê-los atrás de grossas lentes... a minha pele, ao invés de saudavelmente fresca, estava coberta de borbulhas. Se a isto acrescentarem que os meus dentes mais pareciam os de um castor, bem... não é uma imagem muito lisonjeira, pois não? Era difícil viver com aquela realidade, principalmente na actual sociedade em que a aparência parece ter um papel tão importante e é quase obrigatório para qualquer mulher ter um aspecto saudável, belo, com uma bonita pele, o cabelo bem arranjado e dando a impressão de ter passado as últimas cinco horas a fazer ginástica!

Ali estava eu pois na loja, sentindo-me deslocada e todos os dias esperando que alguma menina apontasse para mim e dissesse: "Mamã, quero aquela..."Coisa que, infelizmente, não aconteceu. Eu era optimista por natureza mas à medida que o tempo passava tornava-me cada vez mais triste e sem esperança. Ninguém me compraria! Para que é que alguém quereria uma boneca feia? Dei voltas e voltas ao assunto na minha cabeça e concluí que a única solução era tornar-me bonita, não importava qual fosse o preço a pagar!Depois de uns quantos telefonemas, tive que admitir a verdade: o preço a pagar importava! Se eu queria fazer uma operação plástica ao nariz, um tratamento à pele num instituto de beleza e ficar com o cabelo brilhante e suave como a seda era melhor que pensasse em poupar bastante. Não fazia ideia de quanto dinheiro era necessário só para manter uma aparência decente... admito que foi uma enorme desilusão, mas consegui ultrapassá-la de uma forma inesperada: a fim de encher o tempo dediquei-me à leitura e depressa descobri que, em vez de mero passatempo, isso se estava a transformar numa verdadeira paixão. Em pouco tempo consegui ler todos os livros que havias na loja. E suspirava por mais. De forma que me tornei membro da Biblioteca local e pude ler tanto quanto queria: Kafka, Beauvoir, Sartre, Valtari, Remarque, Hemingway, Gorki, Tolstoi, Dostoievski, Kerouac... passava a maior parte do dia a dormir para poder estar em paz e silêncio enquanto trabalhava durante a noite, visto que eu já não me limitava a ler, estava a tirar um curso por correspondência. Queria ser economista. Já não me importava se alguém me iria comprar ou não. De facto, os meus planos seriam alterados se alguém pensasse em adquirir-me, agora que estava quase a completar os meus estudos...

Parece que a vida é feita de surpresas: fui inesperadamente comprada por uma jovem mulher que sem dúvida queria outra coisa mas pensou que eu talvez servisse. Comprou-me a fim de que a sua filha me oferecesse de presente a uma amiguinha. Fui embrulhada em papel colorido e levada para um lugar que não me pareceu muito longe da loja. Não pude ver nada, evidentemente, apenas ouvi o motor de um carro e, depois de dias de uma total escuridão fui subitamente rodeada de luz, risos e pessoas. Principalmente crianças.

Era uma bela festa com imensas coisas boas para comer, pratos de papel engraçados, chapéus de papel, refrigerantes, cachorros quentes, sanduíches cortadas em triângulo, bombons e um enorme bolo de aniversário com duas rosas de massapão e uma inscrição doce que dizia:

"Parabéns!"Uma rapariguinha de cabelo escuro e intensos olhos azuis agarrava-me com força. Era ela portanto a minha dona. Óptimo. Gostei dela no mesmo instante em que a vi. Pensei que nos tornaríamos boas amigas. Pela parte que me cabia, eu estava disposta a dar o meu melhor. Tudo estava a decorrer bem até que um dos convidados, uma loura magrinha, disse: "Mas que espécie de boneca é essa? É feia, feia, feia!"Todas as outras crianças romperam de imediato num coro acusatório: "Fei-a! Fei-a! Fei-a!"
-Consegues imaginar coisa mais horrível? Onde será que ela a arranjou, num caixote do lixo?-Bem, tenho que admitir que tem um certo charme...-Charme?! Que é que queres dizer com isso, "charme"? É algum novo sinónimo de feio?-Disparates! O que é a beleza, afinal de contas? É acima de tudo uma questão de moda, trata-se de dizer: "olha, isto está na moda, isto é bonito"-Deve estar a brincar!-Não, não estou!- ouvi o homem replicar. Ele era o pai da rapariguinha do aniversário. Esta conversa aconteceu alguns dias depois da festa. Eu já estava acostumada à linda casa que era agora o meu lar e percorria-a à vontade durante a noite. Deduzi que o homem (que era um artista plástico) tinha de ganhar bom dinheiro na sua profissão para poder ter uma casa como aquela. Tomou de novo a palavra e eu ouvi-o com atenção:-Se amanhã eu afirmasse : "Olhem, isto é Belo", todos acreditariam!-Bem, eu não!-Espera e verás - disse o artista, aspirando o fumo do seu charuto - Espera e verás...


No dia seguinte acordaram-me bastante cedo. Alguém me pôs um vestido de veludo preto, sapatos pontiagudos cor de prata e uma rapariga atraente fez-me um penteado extravagante. Sentaram-me numa cadeira de madeira que mais parecia um trono, luzes fortes atingiram-me no rosto e encandearam-me, o calor do estúdio quase me fez desmaiar.Uma semana mais tarde eu estava na capa das mais importantes revistas de moda do mundo. O telefone não parava de tocar convidando-me para comparecer em programas de televisão, desfiles de moda, entrevistas na rádio... pouco depois fui considerada a boneca do ano. Passaram-se alguns meses e fui eleita a boneca da década. Estilistas mundialmente famosos imploravam o privilégio de desenhar roupas para mim. Empresas de cosméticos ofereciam-me pequenas fortunas para que eu publicitasse os seus produtos.Eu anunciava perfumes franceses, roupas desportivas, carros, sabonetes, cremes... Cada vez que eu saía havia fotógrafos desejosos das minhas fotografias e pessoas desejosas do meu autógrafo. Havia até rumores de uma possível história de amor entre mim e um belo e famoso actor de Hollywood...Quanto a mim... bem, depois de um certo esforço consegui terminar o curso. Quando hoje em dia me vejo ao espelho, faço-o sem sentimentos desagradáveis. Vejo as lentes grossas (nunca me adaptei verdadeiramente às lentes de contacto), a pele cheia de imperfeições, o cabelo seco e, apesar da opinião do mundo inteiro, continuo a ver-me como uma boneca feia. Mas há duas grandes diferenças em relação à forma como eu me via antes: aprendi a aceitar-me tal como sou. E, graças aos meus estudos, consegui investir o dinheiro da melhor forma.

A menininha que ainda é a minha dona casou o ano passado e, no dia em que ela tiver uma filha, eu não terei ciúmes visto que, muito provavelmente eu tornar-me-ei na sua melhor amiga, na qual ela pode confiar e contar os seus mais íntimos segredos. E também assumirei com muito prazer o papel de baby sitter quando ela quiser sair com o marido.Por tudo isto assumo que sou uma boneca feliz.

***************************


Depois de uma infância sem incidentes de maior (exceptuando o rapto de um gato siamês) frequentou o Liceu Francês e posteriormente andou pela Faculdade de Direito. Viveu no estrangeiro durante vários anos: no norte europeu (Suécia, Finlândia), em Espanha e ainda na América do Sul. Gosta de ler (T. Pratchett, Hemingway, Sartre, Pessoa e a lista seria longa) e, sobretudo, de escrever. Mesmo que seja para a gaveta... Contudo, já publicou umas coisas, nomeadamente no fanzine Sloboda, nas Selecções BD, na Rua Sésamo... e tem umas historietas guardadas, na expectativa/esperança de um dia arranjar algum editor que...

segunda-feira, janeiro 01, 2007

DIA MUNDIAL DA PAZ



Se há tanta Paz


Se há tanta paz no azul que o céu abriga
e há tanto azul, que tanto bem nos faz;
se há tanto azul e há tanto céu, me diga:
por que é que o Homem não encontra a Paz?


Se há tanta paz no verde mar da onda,
que faz-se em verde e em branco se desfaz,
e há tantas ondas pelo mar, responda:
por que é que o Homem não encontra a Paz?

Se há tanta paz no olor das multicores
flores - orquídeas, rosas, manacás...
Se há paz em cada flor e há tantas flores,
por que é que o Homem não encontra a Paz?

Se há tanta paz nos cânticos suaves
que entoam na alvorada os sabiás...
Se há paz num canto de ave e há tantas aves,
por que é que o Homem não encontra a Paz?
Se há tanta paz na brisa que desliza
sobre as folhagens, tímida e fugaz...
Se há tanta paz na brisa e há tanta brisa,
por que é que o Homem não encontra a Paz?

Se há tanta paz nas expressões tão mansas
que, ao vir ao mundo, uma criança traz,
e a cada dia existem mais crianças,
por que é que o Homem não encontra a Paz?

Se há tanta paz nos corações com Fé-
que atrai o Bem e afasta as coisas más
-então oremos todos, já, de pé.
para que o Homem encontre um dia a Paz!



Autora - Luna Fernandes

domingo, dezembro 10, 2006

FELIZ NATAL

Presépio De Lata
Rui Veloso
Composição: Carlos Tê / Rui Veloso


Três estrelas de alumínio
A luzir num céu de querosene
Um bêbedo julgando-se césar
Faz um discurso solene

Sombras chinesas nas ruas
Esmeram-se aranhas nas teias
Impacientam-se gazuas
Corre o cavalo nas veias

Há uma luz branca na barraca
Lá dentro uma sagrada família
À porta um velho pneu com terra
Onde cresce uma buganvília

É o presépio de lata
Jingle bells, jingle bells,

Oiçam um choro de criança
Será branca negra ou mulata
Toquem as trompas da esperança
E assentem bem qual a data

A lua leva a boa nova
Aos arrabaldes mais distantes
Avisa os pastores sem tecto
Tristes reis magos errantes
E vem um sol de chapa fina
Subindo a anunciar o dia
Dois anjinhos de cartolina
Vão cantando aleluia

É o presépio de lata
Jingle bells, jingle bells,

Nasceu enfim o menino
Foi posto aqui à falsa fé
A mãe deixou-o sozinho
E o pai não se sabe quem é

É o presépio de lata
Jingle bells, jingle bells.

Como era bom se todos tivessem Natal!

quinta-feira, dezembro 07, 2006

VINTE ANOS DEPOIS

Depois de tanto tempo decorrido,
Eis que te encontro novamente agora,
Face a face... alquebrado, envelhecido,
Tão diferente do que foste outrora!

Percebo, nos teus olhos contristados,
Que em mim também notaste alguma mudança.
É natural, vinte anos são passados,
E o tempo, no seu giro, não descansa!

Tão diferente já do que fomos!E em vão
Tentamos recompor os traços do passado.
Buscas em meu olhar um antigo clarão
E só vês um cristal sereno, desmaiado...

E em nossos olhos vê-se agora, refletida,
Como num claro espelho, a imagem do presente,
A dura realidade, a amarga lei da Vida,
E então, sem resistir, choramos tristemente,

Lágrimas não por mim nem por ti, na verdade,
Nem mesmo pelo amor que agora pouco importa!
Se choramos assim, choramos de saudade
Da nossa própria mocidade morta!



Maria José Aranha Rezende

domingo, dezembro 03, 2006

UMA VIDA - QUATRO ESTAÇÕES

Uma vida tem quatro estações:

  1. Na Primavera nascemos
  2. No Verão amadurecemos
  3. No Outono murchamos
  4. No Inverno morremos.